sexta-feira, 6 de agosto de 2010

UM PROGRAMA MUITO ESPECIAL

Desde março de 2004, a TV Brasil leva ao ar o Programa Especial, dedicado à inclusão social da pessoa com deficiência, abordando questões como acessibilidade, interação social e superação.

Produzido pela "No Ar Comunicação"; da brilhante Ângela Patrícia Reiniger (leia-se, também, a premiada diretora do documentário "3 Irmãos de Sangue"), o Programa Especial ultrapassa os limites da informação, do entretenimento e do incentivo, para alcançar o status de exemplo. Afinal de contas, se a palavra convence, o exemplo arrasta. No casting da produção encontramos um repórter cadeirante elaborando matérias (e praticando) esportes radicais (o super alto astral José Luis Pacheco), uma entrevistadora com Síndrome de Down (a doce Fernanda Honorato) e a atuação perspicaz de uma apresentadora também cadeirante (Juliana Oliveira).

O Programa é ainda transmitido com janela para tradução à linguagem do sinais, legenda e áudio descrição para permitir o acompanhamento pelo maior número de pessoas possível.

A idéia é combater o preconceito pela informação, pois toda vez que "o programa divulga casos bem sucedidos de participação de pessoas com deficiência na sociedade, um número cada vez maior de pessoas percebe que é possível vivermos em uma sociedade inclusiva", conforme registra o site oficial (http://www.programaespecial.com.br).

O Programa Especial vai ao ar toda sexta-feira às 19:30h, pela TV Brasil. Vale a pena acompanhar.



quinta-feira, 22 de julho de 2010

UMA PISTA DE POUSO... E NADA MAIS

Na semana passada, questionado acerca das obras necessárias à Copa de 2014, o Secretário Geral da FIFA, Jerome Valcke, relacionou o que falta: "Precisamos construir estádios, estradas, sistema de telecomunicações, aeroportos e ver se há mesmo a capacidade suficiente em hotéis". 

Quase nada...

Em Natal, a questão "aeroporto" parecia estar planejada. Em 18 de junho de 2004, o 1º Batalhão de Engenharia de Construção do Exército havia começado a obra da pista de pouso  (que fica, na verdade, na vizinha cidade de São Gonçalo do Amarante). Naquela época, sem previsão de Copa do Mundo no Brasil, era apenas um exercício de megalomania, já que o aeroporto atualmente em uso (que na verdade fica na vizinha cidade de Parnamirim) até hoje é subutilizado. 

No entanto, passados seis anos, nada, além da pista, progrediu. O Governo Estadual  e a INFRAERO desistiram, há muito tempo, de bancar a obra com recursos próprios. A construção passaria por uma mudança de gestão administrativa de aeroportos no Brasil. Seria permitido, à inciativa privada, erigir o terminal de passageiros e cargas, e, posteriormente, administrá-lo. 

Só que a idéia não sai do papel. O projeto segue a passo de cágado estafado.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia atacado quem duvida do Brasil. Não vou me atrever a tanto. Para ele, é "descabido" questionar se o nosso País estará pronto para a Copa, garantindo que investimentos serão feitos e que não faltarão aeroportos. Lula chegou a se irritar com o questionamento. "Se o Brasil não tiver condições, garanto que volto da África à nado", disse.

É, Molusco... começa a treinar. 

Foto: Nominuto.com

sexta-feira, 16 de julho de 2010

BRASIL X ARGENTINA


Pelé, indubitavelmente, foi um atleta muito superior a Maradona. Acho que termina por aí nossas vantagens sobre a vizinha Argentina. Principalmente se considerados os aspectos de cultura e educação.

Um garçon em Buenos Aires é capaz de dar uma aula de distribuição populacional se indagado pelo número de habitantes da capital portenha. La, motorista de táxi pode debater, com fundamentos, a política econômica adotata pelo Governo Kirchner. São dois pequenos exemplos de elevado nível social que vivi pessoalmente.

Esta semana, foi noticiado mais um exemplo dessa distância evolucional entre nós e nossos vizinhos. Enquanto nosso Congresso analisa uma Emenda Constitucional que pode impedir a adoção de crianças por casais homoafetivos, a Argentina passou a permirir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Ponto para sociedade argentina. Lá, vence a universalização de direitos.

Os argumentos utilizados do lado de cá da fronteira são medivais. Um Estado, que deveria ser laico, apela para "ensiamentos" bíblicos. Afinal, a homossexualidade é abominação; está nas Escrituras Sagradas. Assim como comer camarão. Por outro lado, a pena de morte por apedrejamento é autorizada por Deus. 

Eu só me pergunto, qual Deus - o dos católicos, o dos protestantes, o dos mulçumanos, o dos judeus, os vários dos cultos africanos, indianos... - prefere ver crianças em orfanatos a conceder-lhes a possibilidade de um lar, de receber amor, acesso a educação e saúde?

Não posso acreditar que a maioria da população brasileira opte pela intolerância em detrimento da civilidade, que permite a convivência entre os diferentes. É inadmissível que, por uma pretensa inspiração divina, o inferno seja antecipado nesse plano de vida para gays e lésbicas, como se fossem cidadãos de segunda categoria, sem acesso a determinados direitos.

Mais cedo ou mais tarde, os ventos austrais nos trarão respeito à dignidade humana e leis despidas de preconceito.



quarta-feira, 7 de julho de 2010

EU SOU INSUBSTITUÍVEL!

Recebi esse texto hoje. Não havia indicação do autor... um sábio. Tudo a ver com meu momento.


"Na sala de reunião de uma multinacional o diretor nervoso fala com sua equipe de gestores.
Agita as mãos, mostra gráficos e, olhando nos olhos de cada um ameaça: "ninguém é insubstituível".
A frase parece ecoar nas paredes da sala de reunião em meio ao silêncio.
Os gestores se entreolham, alguns abaixam a cabeça. Ninguém ousa falar nada.
De repente um braço se levanta e o diretor se prepara para triturar o atrevido:
- Alguma pergunta?
- Tenho sim. E Beethoven?
- Como? - o encara o gestor confuso.
- O senhor disse que ninguém é insubstituível e quem substituiu Beethoven?
Silêncio.
Ouvi essa estória esses dias contada por um profissional que conheço e achei muito pertinente falar sobre isso.
Afinal as empresas falam em descobrir talentos, reter talentos, mas, no fundo continuam achando que os profissionais são peças dentro da organização e que, quando sai um, é só encontrar outro para por no lugar.
Quem substituiu Beethoven? Tom Jobim? Ayrton Senna? Ghandi? Frank Sinatra? Garrincha? Santos Dumont? Monteiro Lobato? Elvis Presley? Os Beatles? Jorge Amado? Pelé? Paul Newman? Tiger Woods? Albert Einstein? Picasso? Zico (até hoje o Flamengo está órfão de um Zico)?
Todos esses talentos marcaram a história fazendo o que gostam e o que sabem fazer bem, ou seja, fizeram
seu talento brilhar. E, portanto, são sim insubstituíveis.
Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa. Está na hora dos líderes das organizações reverem seus conceitos e começarem a pensar em como desenvolver o talento da sua equipe focando no brilho de seus pontos fortes e não utilizando
energia em reparar seus 'gaps'.
Ninguém lembra e nem quer saber se Beethoven era surdo, se Picasso era instável, Caymmi preguiçoso, Kennedy egocêntrico, Elvis paranóico...
O que queremos é sentir o prazer produzido pelas sinfonias, obras de arte, discursos memoráveis e melodias inesquecíveis, resultado de seus talentos.
Cabe aos líderes de sua organização mudar o olhar sobre a equipe e voltar seus esforços em descobrir os pontos fortes de cada membro. Fazer brilhar o talento de cada um em prol do sucesso de seu projeto.
Se seu gerente/coordenador, ainda está focado em 'melhorar as fraquezas' de sua equipe corre o risco de ser aquele tipo de líder que barraria Garrincha por ter as pernas tortas, Albert Einstein por ter notas baixas na escola,
Beethoven por ser surdo. E na gestão dele o mundo teria perdido todos esses talentos.
Nunca me esqueço de quando o Zacarias dos Trapalhões 'foi pra outras moradas'; ao iniciar o programa seguinte, o Dedé entrou em cena e falou mais ou menos assim:
"Estamos todos muito tristes com a 'partida' de nosso irmão
Zacarias... e hoje, para substituí-lo, chamamos:.. Ninguém... pois nosso Zaca é insubstituível"
Portanto nunca esqueça: Você é um talento único... com toda certeza ninguém te substituirá!
"Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. Por não poder fazer tudo, não me recusarei a fazer o pouco  que posso.
O que eu faço é uma gota no meio de um oceano, mas sem ela o oceano será menor." 


EU FAÇO DIFERENÇA. E você também.


terça-feira, 18 de maio de 2010

AS VERSÕES E OS FATOS

Clotilde Reiss é uma estudante francesa. Herdeira, talvez, dos rebeldes da Primavera de 68, ela resolveu protestar em território onde "deus" acha que é crime  se insurgir contra eleições (supostamente) fraudulentas. Ela foi presa no dia 1º de julho de 2009, no aeroporto de Teerã, quando embarcava de volta à sua Paris, da "Liberté, Egalité et Fraternité". Confessou, diante de um tribunal iraniano, ter participado de manifestações estudantis, e, ainda, (pecado dos pecados) enviado um e-mail com fotos e um texto sobre as contestações à eleição do Presidente Ahmadinejad.

Domingo passado, dia 15 de maio, enquanto nosso viajandão Presidente da República visitava o Irã, a jovem regressava à França.

As autoridades diplomáticas brasileiras (entre salamaleques aos mandatários de um país onde as mulheres não disfrutam dos mesmos direitos dos homens, para se dizer o mínimo, e a homosexualidade é considerada crime, punível com a morte) se apressou a divulgar a relevância da intervenção brasileirna no caso. Segundo um ministro brasileiro, ao chegar para um terceiro encontro no dia com Ahmadinejad, durante um fórum empresarial, Lula disse ao presidente iraniano em uma sala privada que estava contente por ter visto na televisão imagens de Clotilde Reiss na França."Foi um presente para o Brasil", teria respondido Ahmadinejad a Lula, segundo a fonte.  

A France Presse narra uma versão diferente. 

"O tribunal condenou Reiss a uma multa de US$ 285 mil que ela pagou esta manhã", teria dito Mohammad-Ali Mahdav Sabet, advogado da francesa. "O caso está encerrado. Reiss poderá deixar o Irã no domingo, depois de recuperar o passaporte no tribunal revolucionário", teria completado.

Esses franceses são terríveis! Querendo amortizar a importância da diplomacia brasileira... Pode?


 Clotilde Reiss - por Parismacht




sexta-feira, 14 de maio de 2010

QUAE SERA TAMEN

Ainda que tardia, haverá justiça?

Mais de vinte e um anos após de ter assassinato de sua EX-esposa,  Maristela Just, e agredido seus dois filhos e seu ex-cunhado, o comerciante José Ramos Lopes deveria ter sido julgado ontem, 13 de maio de 2010, em Jaboatão dos Guararapes/PE.

No entanto, a sessão do Tribunal do Jurí não pôde acontecer, pois o réu não compareceu, frustrando a expectativa daqueles que (ainda) creem ser possível fazer justiça.

O motivo do crime, segundo Gil Teobaldo, pai e advogado do réu, foi legítima defesa... da horna. Essa tese é uma invenção do criminalista Evandro Lins e Silva que, na década de setenta, defendeu Doca Street, assassino confesso de Ãngela Diniz. Na época, colou, e o playboy de boa índole recebeu uma pena irrisória pela morte da lasciva Pantera de Minas de Gerais. Em um segundo julgamento, no entanto, o criminoso foi condenado há uma pena de 15 anos. Pouco, realmente. Muito pouco.

No eco pernambucano dessa obsoleta teoria, encontra-se a desfaçatez do genitor do assassino: "Digo a vocês sem nenhum constrangimento: se não matasse, não comia na minha mesa. Um homem tem que ter brio, tem que ter dignidade, tem que preservar a honra - um homem tem que se sentir acima das circunstâncias". 

Prefiro não comentar.

Os filhos da vítima, Nathália Just (na ocasião do crime, com 4 anos de idade, ela foi atingida no ombro) e seu irmão Zaldo Just (ele tinha 2 anos, e ficou com o lado esquerdo do corpo paralisado por ter sido alvejado na cabeça), prestaram declarações de confiança na Justiça, na esperança de que ela seja feita no dia 1º de junho, nova data do julgamento.

Veja mais informações no blog de Nathalia Just (http://casomaristelajust.blogspot.com/)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

MACHISTA SIMPÁTICO

Adauto Suannes é desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Atualmente, divide seu tempo entre os netos e suas (na maioria das vezes) divertidas crônicas no blog  Circus do Suannes (http://www.circus-do-suannes.com/). Semanalmente, escreve para o site jurídico Migalhas (www.migalhas.com.br).

Essa semana, o douto magistrado de pijamas nos brinda com uma espirituosa análise do Curriculum Vitae da canditada do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República (http://www.migalhas.com.br/mig_circus.aspx). Nem sempre "politicamente correto", segundo o próprio, com as escusas da idade, dessa vez ele mostrou uma veia machista que eu, pelo menos, desconhecia.

Ao se referir ao avanço feminino em áreas de atuação até pouco tempo dominadas por homens, ele nos conta:

"Sempre achei que era hora do ingresso de pessoas do sexo feminino na política e na magistratura, muito embora meu amigo e colega Braguinha me comprovasse, de Bíblia em punho, que há absoluta incompatibilidade entre o sexo feminino e a chamada coisa pública. Depois da Marta em São Paulo, a Benedita em Brasília e a Ieda no Sul, fico a cismar se o homem não teria razão. A propósito: alguém aí conhece alguma juíza que vestiu a toga mas deixou a arrogância no armário? Não quero dizer que não exista. Iaque e ornitorrinco, segundo dizem, também existem, mas esses eu só vi em fotografia."

Poxa, Excelência! Conheço magistradas nada arrogantes, assim com conheço (muitos) julgadores do sexo masculino convictos de que a toga é o próprio manto sagrado a lhes conferir divindade. As vaidades humanas (sempre plurais) não acometem exclusiva e generalizadamente às mulheres. Não declino o nome das Juízas, Desembargadoras e até Ministras das quais já tive oportunidade de observar humildade e gentileza, mas estou à disposição para lhes apresentar. Iaques e ornitorrincos, infelizmente não posso.Também só os conheço por fotografias.

 Iaque


Ornitorrinco